Resenha: A última ceia de Natal, de Noemi Reis

O Natal para alguns é um período mágico. Para outros é um momento de se reunir com aqueles que se ama.
Mas para a Família Almeida é um feriado como qualquer outro. Apenas mais uma data em vermelho no calendário.
Até que um dia, com uma única mensagem, Vovó Alzira muda isso.
Agora, todos da família Almeida precisarão incluir a festividade em sua agenda.
Eles só não sabem que para chegar na famigerada Ceia, será necessário muita paciência para realizar todos os desejos de Natal da matriarca.
Sem deixar de fora todas as confusões causadas por Dona Alzira, que aguarda a manhã de Natal para revelar algo que pode abalar todos que lhe amam.

Uma drama familiar na época mais família do ano.

Recentemente, numa publicação do meu podcast K-Pop Top, contei a história que me liga à minha balada de k-pop preferida. Em resumo, é uma faixa que serviu de consolo quando minha vó faleceu alguns anos atrás. Com a situação sendo relativamente recente, pensei muito antes de pegar o conto de Noemi Reis – a história de uma matriarca que resolve reunir a família e celebrar o Natal todos juntos – para ler. No fim das contas, fico feliz por ter lido.

Em menos de uma hora, você passa pelos 10 capítulos (contando o epílogo) e vai conhecendo os protagonistas e coadjuvantes da família Almeida – da avó Alzira ao neto de sua amiga, Guto – e tentando entender suas conexões. Como escrevi em minhas primeiras impressões publicadas na Amazon, é um continho delicado e cheio de amor, especialmente entre a família central da história e os três filhos de Dona Alzira (embora a maior parte da narrativa seja do ponto de vista da neta mais velha, Camille).

É uma verdade universalmente conhecida de que nunca temos tempo o suficiente.

Capítulo 2

Embora a sinopse prometa um “drama familiar”, as características dramáticas estão em pontos diferentes do seu típico chiliques-brigas-choro-e-discussão. Sendo honesta, eu não usaria a palavra drama para descrever o conto de jeito nenhum, porque se trata de uma história tão amorosa, quase adocicada, que mesmo tendo cenas aqui e ali de marejar os olhos, não chega a ser aludir aquele sentimento visceral-Nicolas-Sparks que estão ligados aos dramas familiares espalhados pelas prateleiras de livrarias.

Não que isso seja ruim, a quebra de expectativa foi uma boa surpresa. Ao invés de te fazer espiralar em lágrimas por causa de sofrimento, temos uma reflexão sobre como o tempo faz com que até aquelas pessoas que se amam tanto sigam cada uma pra um canto sem nem perceber e como cada reencontro é valioso.

Várias coisas da história não eram muito minha xícara de chá, no entanto. Basicamente a única coisa em comum com minha experiência pessoal é a história ser de uma vó que calha de ser muito próxima de sua neta mais velha. O que tirou minha vó deste mundo foram os problemas respiratórios que ela já tinha (e isso tudo antes da COVID. ainda bem que ela não teve que passar por essa pandemia, teria sido cruel de mais). Ela era lúcida, mas não ativa. O feriado de Natal sempre fez parte das nossas tradições familiares, mas nós nunca fazemos ceia; não montamos uma árvore desde que meu irmão era pequeno e não tínhamos (ainda não temos) dinheiro para troca de presentes.

Aqui em casa, o Natal era sobre passar um tempo juntos, mas estamos sempre juntos anyway. Grandes celebrações não fazem parte do nosso vocabulário, então tenho dificuldade em entender a Empolgação™ em torno do feriado. Acho fofo, mas não faria nem tenho motivação externa para fazer. Isso me distanciou do conto um tanto.

A vida tende a ser complicada. Os dias parecem sempre curtos e há sempre a sensação de que devíamos ter feito mais com nosso tempo. Que podemos descansar depois. Que podemos curtir depois. E quando vemos, anos passaram e não aproveitamos nada do que queríamos. Não fomos aos lugares que desejávamos e nem vivemos o que sonhamos.

Uma vida seguida de forma mecânica que, no fim, não gera nada além de frustrações.

Capítulo 9

Além disso, em alguns momentos senti a narrativa como repetitiva e açucarada de mais. Não no sentido de romance romântico, mas as motivações eram sempre as mesmas, ao ponto de parecer um pouco forçado. Era como se eu lesse a mesma frase de novo e de novo e isso me cansou um pouco.

A resolução deixou uma impressão simplificada para mim, e entendo que isso tem a ver com fato de se tratar de um conto, ou seja, não tinha espaço suficiente para explorar de outra maneira, mas para o tanto que a tal revelação teve momentum construído, faltou um pouco mais de… tempero que não foi suficiente só com o epílogo, como se toda subida de uma montanha-russa resultasse numa quedinha de nada. Não sei se fui clara.

Apesar disso tudo que apontei como chata que sou, o resultado final do conto ainda me agradou e eu terminei a leitura com um sentimento de coração aquecido que, na moral, é o que importa. Então se você está procurando algo para ler e fazer sorrir ao final (mesmo sendo aquele sorriso agridoce), recomendo sim “A última ceia de natal”.

Ficha técnica

  • Título: A última ceia de Natal: Damas Douradas
  • Autora: Noemi Reis
  • Revisão: Jéssica Mamede
  • Formato: e-book
  • Páginas: 60
  • Publicação: Independente
  • Edição: 1ª – dezembro de 2021
  • Preço: R$ 1,99 – Disponível no Kindle Unlimited

Avaliação: 4 de 5.

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